• Yubertson Miranda

A Angústia de Pressentir… e Minority Report


Meus pressentimentos sempre me incomodaram. Ultimamente, mais ainda… Tô bravo com esse lance de pressentir. Prefiro viver o dia-a-dia sem a angústia de que algo ocorrerá no futuro. Assim me sinto mais à vontade de aproveitar o presente, o momento presente.

Porém, isso não tem ocorrido. A corrosão provocada por pressentimentos contrários ao que estava sendo planejado para ocorrer futuramente angustia, dói, machuca. Não me refiro nem a grandes planejamentos futuros. Coisas bobocas e triviais mesmo. Talvez seja meu ímpeto de querer controlar a vida que está sendo abalado. É a vida mostrando pra mim a necessidade de me entregar à vida, seja qual for o futuro. Independente se o futuro será como eu quero ou não. Provavelmente minha dificuldade maior encontra-se em aceitar o futuro e aprender a viver bem o presente, mesmo quando este vem impregnado de um pressentimento ruim sobre algo que gostaria de viver no futuro.

Estou com dificuldades de aproveitar o presente quando vejo que não adianta comemorar ou me empolgar com algo que está sendo planejado atualmente para o futuro. Pra que brindar uma ilusão, uma vez que o futuro trará algo oposto ao planejado no presente?

Um exemplo bobo dentre vários que trará mais clareza sobre meu atual questionamento é o seguinte. Na noite de Natal, meu primo e sua mulher nos chamaram (eu e a Cris) para viajar à Serra do Cipó. Iríamos ficar na casa de campo que nosso tio tem na beira do Rio Cipó, cercado de cachoeiras lindíssimas. É um local que adoramos ir.

Não consegui nem me empolgar com a idéia. Porque um PRESSENTIMENTO de que não iríamos ocorreu fortemente e me dominou. Porém, não sabia o que especificamente ocorreria para impossibilitar essa viagem. E isso me incomodou. Não ter clareza sobre o evento que se realizaria como causa do impedimento à viagem. Se soubesse o que de fato se concretizaria, eu poderia simplesmente dizer ao meu primo:

– olha, não vamos viajar no final do ano. Não empolgue-se. E não me peça que fique empolgado com a viagem. Porque cada pessoa lá em casa pegará uma virose que nos impedirá de viajar. Então, não vou nem me dar ao trabalho de me empolgar com o planejamento e a expectativa de uma viagem que não ocorrerá. 😀 Acho que seria BEM MELHOR se soubesse a causa. rsrs

Se não pressentisse o que viria, esse PRESENTE seria melhor vivido. Mas a força do PRESSENTIDO foi tão forte que eu sabia que qualquer planejamento repleto de empolgação pela viagem seria ILUSÓRIO. Afinal, essa empolgação não seria vivida… seria falsa… porque eu sabia que não rolaria de viajar. Não sabia ainda que tipo de evento ocorreria para impedir a viagem… apenas que ela não ocorreria.

E é justamente essa meleca que o pressentimento do FUTURO provoca no PRESENTE que tem me feito questionar nossa habilidade (ou falta dela) de lidar com a realidade do presente, MESMO AO SABER QUE O FUTURO TRARÁ ALGO DIFERENTE DO QUE ESTAMOS PLANEJANDO para ele no atual momento presente…

Essa vida de Precog (do filme MINORITY REPORT) é angustiante pra caramba… Só que eles sabiam o que especificamente ocorreria. Então, fico na dúvida: não sei se saber claramente quais os eventos realmente ocorrerão – e que impedirão que o futuro não seja como o que está sendo planejado – seria a chave para aproveitar melhor o presente sem a ilusão de um futuro que não será vivido…

Um outro exemplo, este mais relevante e impactante que o meu, me foi contado pelo meu amigo-irmão Kélvin. Ele, sua namorada e a filha desta caminhavam no dia do Reveillon por uma praia. Ela começou a passar mal. E sua filha, momentos antes, também tinha passado mal. Resolveram sair dali. No outro dia, ele lê no jornal: houve um arrastão na Praia Grande naquela noite de Reveillon…

Será que se a namorada de meu amigo e a sua filha soubessem que estavam passando mal porque haveria um arrastão na praia, isso não facilitaria a vivência do presente sem tanta dor e sofrimento?? Se elas identificassem:

– olha, estou passando mal, porque já estou sentindo a energia negativa do arrastão chegando até nós. Ele vai trazer bagunça, caos e tristeza a muitas pessoas aqui na praia. Por isso não estou me sentindo muito bem… Vamos embora.

Se o evento prestes a ocorrer (pressentido para o futuro) pudesse ser mais claramente delineado no presente, talvez a angústia, o sofrimento e as dores fisicas/psíquicas poderiam ser menores. Afinal, teríamos de lidar com o que REALMENTE ocorreria. Em vez de ficarmos imaginando, sentindo, pensando, deduzindo o que pode estar causando nosso mal-estar e nossos pressentimentos ruins…

Gostaria de experimentar este outro lado: ter mais clareza do PRESSENTIDO para ver se viveria melhor o PRESENTE quando houvesse um pressentimento na jogada. Talvez seria melhor do que ficar PRESSENTINDO algo que ocorrerá, que impedirá o que está sendo vislumbrado/ planejado para o futuro – mas que não sei especificamente o que será.

O desconhecido, as nuvens nebulosas do que poderá ocorrer como EVENTO REAL, é que – me parece – gera mais sofrimento, angústia, tristeza, mal-estar do que o fato de PRESSENTIR. Pressentir, já sabendo o que poderá ocorrer em termos de eventos, talvez não seja tão detonante quanto apenas o vago pressentimento de algo que virá/ocorrerá, sem saber o que especificamente.

Taí uma bela prosa para ser aprofundada e um belo tema a ser refletido.

Beijãozão nocês…

Yub

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