• Yubertson Miranda

A projeção da Sombra: "o inferno é o outro"

Você já deve ter ouvido falar nesta frase: “O inferno é o outro.” Sartre foi quem a criou. E representa belíssimamente a dinâmica da projeção da Sombra.

O filme Cisne Negro mostrou belíssimamente a ocorrência desse fenômeno. Natalie Portman (Nina) projeta sua Sombra (atributos renegados por sua persona) em Mila Kunis (Lily). Nina se sente assombrada, perseguida por Lily.

Porém, são seus próprios demônios que a perseguem. “Ela é o maior obstáculo para si mesma”, conforme ouviu de seu Ânimus, ops, de seu professor. Mas prefere não enxergar assim.

É o que cada um de nós, muitas vezes, prefere fazer. Enxergar no outro o inimigo, aquilo que dentro de nós próprios mais nos assombra.

Nina renega seu lado “cisne negro” por estar tão identificada com sua persona lindinha, certinha, bonitinha, “branquinha.” Porém, para representar o papel de protagonista na peça, precisa desenvolver o outro lado, aquele que vai além do socialmente aceito. É a necessidade de desenvolver e expressar (o ideal que seja conscientemente) a Sombra.

Como tem medo desses atributos em sua natureza, ela os projeta em Nina. Esta, sensual, rebelde, solta e espontânea, vive o que Nina tem tando horror de fazer, por mais que tanto deseje viver assim.

Quantas vezes nós não nos sentimos ao mesmo tempo fascinados e raivosos diante daquela pessoa que tem um jeito de ser que, no fundo, queríamos ter e expressar? Sentimos inveja. Num mesmo nível, idolatramos. Somos atraídos e, simultaneamente, repelidos por essa pessoa. Na verdade, por aquilo que ela representa de NÃO-VIVIDO em nós, por nós. Eis a Sombra…

O problema da projeção se tornar perigosa ocorre quando não se vê o outro como o reflexo de nós mesmos. O outro vira o inimigo-mor que precisa ser aniquilado para que eu não possa ter um espelho que reflita o que reluto em viver, desenvolver, experimentar, expressar. Os preconceitos contra as minorias acabam sofrendo dessa literalidade (falta de consciência) por parte daqueles que projetam radicalmente nelas os seus demônios. 

Porque as minorias vão sofrer ataques físicos, efetivos e tremendamente destrutivos, com gestos preconceituosos radicais dos que não têm coragem de enxergar em si a vida não vivida. Preferem extirpar da face da terra aqueles que ousam viver o que eles não vivem – ou não conseguem, pelo menos, reconhecer a existência dessa faceta em sua personalidade…

No filme, nós vimos como Nina reage a essa projeção em relação à Lily. Não viu o filme? Puxa, você não sabe o que está perdendo… 

Beijãozão nocês…

Yub

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