• Yubertson Miranda

Algumas reflexões sobre o Tarot!

Reproduzo aqui algumas belas reflexões (e questionamentos) que um amigo me escreveu via internet. E as respostas que lhe escrevi a respeito das mesmas.

Beijãozão nocês…

Yub

Olá, meu Querido P!!

Bacana!! Belos questionamentos e reflexões. Vamos lá!

VC ESCREVEU:

Olá Yubertson, tudo bem?

YUB: tudo jóia!!!

P: Há algum tempo atrás solicitei um mapa astral pra você e, após recebê-lo, lembro que comentou sobre eu poder conversar contigo por email e tirar algumas dúvidas, fazer perguntas etc, mas não sobre o mapa astral… vou aproveitar essa oportunidade (se ainda a tiver) de pedir pra que você me dê sua opinião sobre a maneira como o Tarot “funciona”… vou me explicar melhor!

YUB: manda vê!

P: Bem… no nível de compreensão que eu tenho, nesse momento, compreendo o Tarot como uma ferramenta que é usada por uma pessoa (um oráculo) para autoconhecimento, trabalhando com questões do inconsciente coletivo, ou mesmo previsões etc. Ok, e me parece que as cartas são apenas uma “muleta” (não uso o termo num sentido depreciativo, mas apenas prático), permitindo que o oráculo então conecte-se a níveis de consciência diferentes do da vigília e possa apreender suas informações. Seguindo esse meu raciocínio, eu concluo que a peça chave é o oráculo e não as cartas (daí o fato de que uma mesma disposição de cartas, se for lida por 50 pessoas diferentes, terá provavelmente 50 interpretações diferentes, ou pelo menos nunca totalmente idênticas…).

YUB: pois é… uma mesma disposição de cartas, se for lida por 50 pessoas diferentes, terá ESSENCIALMENTE a MESMA interpretação. Mudará alguns detalhes aqui outros acolá. Vc pode verificar esse exemplo numa Comunidade do Orkut bem bacana. Chama-se TARO – SÍMBOLOS E ANÁLISES.

Lá a gente vive interpretando jogos (ou seja, mesma disposição de cartas). E, o melhor, com as pessoas que colocaram as perguntas – ao abrirem os tópicos para pedirem auxílio na interpretação de seus jogos – divulgando os resultados práticos da questão abordada. Lá vc verá que não há essa discrepância de leitura de uma mesma disposição de cartas. Se houver, tá errado. O Tarólogo está errado.

Não há como mudar a interpretação de um PENDURADO, por exemplo: Ele vai indicar bloqueio, obstáculo, limitações, travamentos. Em essência, portanto, a interpretação deverá ser a mesma. Porque nós, Tarólogos, interpretamos SÍMBOLOS. E não há como a gente mudar o significado essencial desses símbolos. Agora, se for apenas um VIDENTE quem está lendo uma disposição de cartas, com certeza poderá haver alterações. Porque um VIDENTE não intepreta o simbolismo das Cartas. Apenas as utiliza para “atiçar” sua vidência e tentar enxergar o que pode tá rolando ou rolará com o consulente.

Mas Tarólogo é BEEEEEEM diferente de um Vidente…

P: Depois dessa introdução, finalmente vem a dúvida (que foi construída baseada nessa minha forma grosseira de entender o Tarot): Se a leitura depende essencialmente do animismo do oráculo, qual exatamente é a função de termos 78 lâminas diferentes, já que elas teoricamente (levando em conta minha ignorância sobre o tema) não se expressam / falam por sí próprias (digo isso levando em conta que são cartas e que não possuem “vida” ou dinamismo próprio/intrínseco – no sentido de que elas não vem e se apresentam deliberadamente e, sim, nós é que as escolhemos “aleatoriamente”?).

YUB: a escolha de determinadas cartas é aleatória. Ao retirarmos determinadas cartas do baralho, as quais comporão a disposição delas ao usarmos um MÉTODO de TAROT para fazer a leitura de seu simbolismo, esse ato é aleatório sim.

Porém, o princípio que o rege é o da SINCRONICIDADE. Não é um mero acaso desprovido de sentido o consulente tirar do baralho JUSTAMENTE as Cartas que fielmente retratam o que ele está vivendo e terá grandes chances de viver no futuro breve. Entende?

E a interpretação dessas Cartas retiradas aleatoriamente não é aleatória. A interpretação é baseada no estudo do simbolismo dos Arcanos e dos significados de cada Casa de cada Método por nós usado qdo jogamos o Tarot para sabermos sobre uma determinada questão. Se vc pegar alguns exemplos práticos na comunidade que te sugestionei a pesquisar, entenderá melhor. Não ficará apenas a nível teórico o seu entendimento. Te incentivo mesmo a fazer isso, meu Querido…

P: Mesmo sabendo que existe um ritual e que impregnamos as cartas com nossos pensamentos no momento de embaralhá-las, seja com nossas dúvidas, angústias etc, algo ainda não “fechou a gestalt”.

YUB: cara… não precisa de ritual algum de impregnamento de energias via pensamento ou qualquer outra coisa. Basta embaralhar e retirar as cartas, colocando-as nas respectivas Casas do Método que usaremos para compreender uma determinada questão. Tudo bem que este ato simples pode ser considerado um ritual. Mas eu estou me referindo a esse tanto de baboseira de rituais que a galera proclama como essenciais para se jogar Tarot. Não são essenciais… rsrs Vai da crença de cada Tarólogo. Mas não são essenciais.

Se alguém precisa de incenso durante a leitura para interpretar um jogo de Tarot, beleza. Se for fazer tal tarólogo se sentir mais conectado, mais inspirado, mais disposto a enxergar bem o que os simbolismos dos Arcanos refletirão sobre as questões do consulente, jóia. Mas não é necessário esse ritual de acender o incenso. O que o Tarólogo realmente precisa é saber interpretar os símbolos presentes nos Arcanos dentro dos significados das Casas em que estes saírem e acoplá-los à questão/dúvida do consulente.

P: Enquanto te escrevo, me vem a idéia de que no nível do ego (ego para a psicologia analítica, pelo menos) não nos envolvemos com a “escolha” das cartas (no nível do ego, repito), mas, em outros níveis de consciência, e isso considerando o nível do Self, por exemplo, e o inconsciente coletivo, nós sabemos muito bem a carta que pegamos e escolhemos exatamente aquela que deve ser escolhida, levando em consideração que o fato de as cartas estarem de costas é na verdade para que o ego não influencie, racionalize e possa vir a atrapalhar o processo, pois para o Ego as cartas estão de costas, mas para o Self elas estão o tempo todo de frente! Faz sentido isso?

YUB: EXCELENTE!! É exatamente isso, meu Irmão!!! PERFEITO!!

P:

Acabei de intuir isso…

YUB: intuiu MUITO bem!!

P: Depois de poder conversar um pouco contigo sobre isso, tenho outra dúvida, acho que menos cabeluda, também sobre o Tarot, mas deixa pra uma próxima…

YUB: beleza! Manda vê!!

Beijãozão nocê…

Yub



———————————- 

Olá, meu Querido P!!


Vamos às suas novas reflexões!!


P:

Olá Yub, fico agradecido pelas suas respostas! Se a historinha de que “pro ego o baralho está de costas mas pro self ele está o tempo todo de frente” realmente faz sentido, então eu consegui entender a parada (finalmente)!


YUB: 😉


P: A outra questão é mais curta, beeeem mais curta hehe. Então…. se numa tirada de cartas (e digamos que seja uma tirada de, sei lá, três cartas, cada uma simbolizando um aspecto diferente, como ” a favor”, “contra”, etc) eu tirar uma carta qualquer, por exemplo o pendurado como você exemplificou no email anterior, seria  correto inferir que pelo fato de eu ter apenas um pendurado no baralho ele está “regendo” aquele aspecto que eu escolhi previamente mas não está regendo os outros, porque obviamente eu não tenho dois pendurados num mesmo baralho? Me explico, se for essa tirada de três cartas, sendo uma pra representar aspecto a favor, outra pra representar aspecto contra e outra pra representar possível solução pro problema, se eu tiro o pendurado para “aspecto positivo” então eu automaticamente sei que o padrão arquetipico que rege o aspecto positivo nao pode nunca reger tambem o aspecto negativo (que no caso seria o mesmo arquetipo mas na polaridade negativa), porque a proxima carta que eu vou pegar pode ser qualquer uma, MENOS, claro, a que eu acabei de pegar. Se isso for correto, não faria sentido se eu tivesse para uma tirada de três cartas, três de cada carta ou numa tirada de cinco cartas, cinco de cada carta, etc? Claro que nesse caso hipotético eu teria baralhos enormes, seria algo ridiculo, mas pelo menos assim eu daria a chance para que cada arquétipo nao fosse excluido de se manifestar mais de uma vez numa mesma tirada? A impressão que me dá (quando usamos um unico baralho)  é a que cada aspecto da minha vida é regido por uma única carta do tarô e eu não posso, obrigatoriamente, ter uma carta que acaba regendo dois aspectos diferentes….


YUB: belíssimo questionamento, meu Irmão!


Por mais que O Pendurado, por exemplo, tendo saído para representar os obstáculos, os impedimentos e as paralisações (Pendurado) existentes no passado (Casa em que ele saiu), existem outros Arcanos que podem TAMBÉM indicar obstáculos, impedimentos, paralisações. O 4 de Espadas, por exemplo, é um deles. O 8 de Espadas também (já com algum movimento, lento, de se desvencilhar dos obstáculos). Então, um mesmo arquétipo*, por exemplo, de PARALISAÇÃO, pode ser encontrado em várias Cartas (com alguns detalhes diferentes complementando tal situação de impedimento, relativos a cada Arcano) e, por isso, representar não somente o passado, como o presente e o futuro, enfim, os vários atributos das Casas que utilizou ao escolher determinado MÉTODO de Tarot.


*Obs.: não é de bom tom a gente dizer que cada Carta representa um Arquétipo. Um Arquétipo é algo irrepresentável. O correto é dizermos que um Arcano tende a representar um tipo específico de SITUAÇÃO ARQUETÍPICA. Ou seja, uma situação comum a todas as pessoas. Existe, por exemplo, o Arquétipo da Grande Mãe. Porém, é algo indefinível. Já uma situação arquetípica marcada pelo complexo materno é possível ser representada.

A Imperatriz representa a situação arquetípica do complexo materno vivido em sua função notavelmente fecunda, nutritiva, abundante. Já A Sacerdotisa revela o complexo materno marcado pela gestação, pelo mistério de gerar forças de forma oculta, sutil, não visível externamente.


P: Ou será que é por isso que cada tirada do tarô é temática ou arquetipica, por natureza, e dentro disso eu tenho entao a possibilidade de manifestação de todos os arcanos? Quer dizer, eu faço uma tirada pra minha vida profissional (e tenho 78 laminas), depois outra tirada pra vida sentimental (e tenho mais 78 laminas), mas nunca faço tiradas que falem simultaneamente de vida profissional E sentimental? Ou por acaso dá? Hehe


YUB: para obtermos uma resposta bem objetiva e clara por meio do Tarot, precisamos fazer uma pergunta também objetiva e clara. Se for possível elaborarmos uma pergunta assim envolvendo tanto a vida sentimento quanto a profissional, utilizando-se um MÉTODO apropriado, sem problemas. Obteremos uma resposta clara sobre o que foi claramente perguntado.


Qualquer coisa, meu Querido, é só escrever!!


Beijãozão nocê…

Yub






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