• Yubertson Miranda

Algumas Reflexões sobre Relacionamentos Afetivos!

Saudações AFETIVAS a todos!!

Eu e a Cris temos observado desde o final do ano passado vários casais que conhecemos entrando em crises conjugais. Muitos deles terminaram a relação que mantinham. Junto com as nossas próprias crises e superações, refletimos sobre algumas questões. Compartilho agora com vocês.

Numa noite em que lanchávamos e proseávamos, a Cris se lembrou de uma frase de seu professor. Ela estava no 1o. Período de Psicologia. Ele perguntou à turma:

– Quem aqui namora?

Várias pessoas levantaram a mão.

Ele profetizou:

– Seus relacionamentos terminarão.

Houve aquele ar de ponto de interrogação entre todos. E o professor explicou que o Curso de Psicologia mexe bastante com as pessoas. Consequentemente, acarreta efeitos em seus relacionamentos. E o fim da relação pode ocorrer.

Lembrei de uma amiga minha. Ela era casada com um homem muito machista. Este lhe impedia de fazer terapia. Tinha medo de que seu relacionamento terminasse por conta desse processo terapêutico. Ela não fez terapia. E o casamento deles terminou assim mesmo. Talvez a terapia tivesse salvado a relação deles, transformando a maneira como se relaciovam…

Muitas vezes, acredito que frases do senso comum, tais como “não preciso de terapia; terapia é para loucos” ou “todo psicólogo ou estudante de psicologia é louco”, retratam uma baita defesa de nossa sociedade. É a resistência a mudar. Parece que as pessoas têm medo de se enxergarem com mais clareza porque podem perceber o que lhes provoca insatisfação. E, diante dessa constatação, terem de se dar ao trabalho de buscar mudanças que gerarão mais satisfação. Preferem manter “tudo como está”, porque acham que o sofrimento da mudança será maior do que o sofrimento que a manutenção de algo insatisfatório gera.

Para fugir à dor dessas percepções sobre o que realmente querem para ter uma vida verdadeiramente mais satisfatória, buscamos paliativos e sedativos existenciais através de certos vícios. Quem sabe assim mantemos permanentemente o estado de cegueira forçada sobre o que pensamos, sentimos e queremos de fato??

É nesse medo de mudar que vejo a primordial causa dos relacionamentos desses casais sucumbindo às crises conjugais, quando estas poderiam ser o estímulo para o casal renovar seu vínculo e seu compartilhar…

E quando uma pessoa que faz parte do casal decide mudar, seja através dos estudos e práticas terapêuticas/psicológicas ou outras que desembocam nesse mesmo fim, inevitavelmente a pessoa parceira será cutucada, mexida, afrontada, influenciada, sacudida. Como reagirá a esse movimento progressista desencadeado pela primeira?

Poderá reagir com resistência e se negar a mudar/crescer/amadurecer mais. E isso poderia emperrar tanto os projetos conjugais quanto os projetos individuais para os quais a primeira está querendo trilhar… Ou poderá reagir de forma madura, procurando se dedicar com mais afinco e espírito renovador a seus próprios projetos pessoais e aos conjugais.

O que impede a pessoa parceira de fazer essas mudanças e, junto com a primeira, se envolver na busca por mais satisfação no relacionamento?

Nos exemplos de traição que conheço, ocorreu algo semelhante a alguns desses casais. Um deles estava insatisfeito, inclusive sexualmente. E em vez de demonstrar essa insatisfação para a pessoa parceira, assumir sua parcela de responsabilidade no proceso insatisfatório, inclusive sexual, e procurar com a outra desencadearem mudanças bacanas para ambas melhorarem a relação, decidem simplesmente trair. É como se a traição fosse uma vingança para o fato de a outra pessoa não estar mais lhe satisfazendo… Em vez de dialogar, demonstrar seus sentimentos, o que não está legal, o que está, o que poderia ser mudado, como, etc., vão para o caminho aparentemente mais cômodo: buscar satisfação sexual com outra pessoa… Como se isso fosse resolver o problema…

Deve ser porque achamos que o problema sempre está no outro… Somos orgulhosos demais para assumir nossa parcela de responsabilidade no que está ruim, insatisfatório… porque assim, ao culparmos o outro, evitamos fazer movimentos de mudança, os quais revelariam nossas fraquezas, limitações, medos e vulnerabilidades. Preferimos manter nosso orgulho do que manter nossa relação, colocando-a num nível mais satisfatório. Preferimos ficar na posição superior do que – com verdadeira humildade – repararmos no que temos feito, nas nossas feridas emocionais, no modo como nos tratamos e no que podemos trabalhar para melhorar em nós mesmos.

Parece que em todos esses exemplos de casais em crise que conhecemos e nas nossas crises, o que pode minar ou transformar positivamente a relação é o seguinte fator:

O NOSSO MODO DE REAGIR ÀS NECESSÁRIAS MUDANÇAS!

Parece que há um acordo silencioso e profundamente sutil (mas muito poderoso) entre cada parte formadora do casal: “olha aqui. Vc promete não mexer nessas minhas feridas? Se sim, eu prometo não cutucar as suas. E, assim, poderemos manter nosso relacionamento legal, aparentemente harmonioso. Vc topa?” Astrologicamente falando, são casais que querem viver eternamente na dinâmica da Casa 7 (Libra) e NUNCA adentrarem na dinâmica da Casa 8 (Escorpião).

A outra parte responde: “Eu topo. Vc pode manter essas gavetas de sua psique fechadas. Sem problemas. Te escolhi também por isso. Tá ótimo desse jeito, nesse nível.”

Só que quando um deles começa a mexer em suas próprias gavetas, rompe este contrato. Viola esse acordo. E, o “pior”, exige do outro que mexa nas suas próprias gavetas psíquicas também.

O outro sente-se violentado, desrespeitado. E reage a esse movimento autoperceptivo e de autosuperação da pessoa parceira, decidindo manter tudo como estava inicialmente acordado. Muitas vezes, precisa fazer um esforço hercúleo de resistência. Aí começam os problemas… pois quando um decide mudar, quer que o outro acompanhe. E se a outra pessoa não acompanhar, pode reprimir o movimento da primeira, se esta se submeter. Porque esta pode preferir ficar junta da outra, mesmo insatisfeita. É o medo da perda, do rompimento, do ficar sozinho/a. Não percebe que está sozinho, ao lado de alguém. Existe um muro, tal como o do BBB9, entre eles… Mas não se aceita enxergar tal muro… E ao manter tudo como está, continua junto, mas separado.

Parece que essa submissão com o objetivo de manter a relação pode chegar num nível tal que a insatisfação cresce alucinadamente e explode em reações perigosas e destrutivas. A revolta por ter tentado se estagnar para manter a relação pode explodir numa fúria e em atitudes tão ferinas que o sofrimento acaba sendo MUITO maior do que se, antes, não tivesse vendido a sua alma em prol de uma falsa, cômoda e passiva segurança.

O medo da perda (de uma relação terminar) acaba fazendo a pessoa que iniciou o movimento de mudança refrear suas trasnformações. Porém, a dor dessa repressão é mais DOLOROSA que a dor da separação. Porque a dor da repressão é cada dia mais acrescida da dor da insatisfação. Afinal, esta relaciona-se de um modo rotineiro, desgastante, apenas para ficar junto (ou melhor, fisicamente e socialmente junto).

E isso é uma ilusão… A insatisfação só aumenta… e a relação vai se deteriorando ainda mais, com um distanciamento cada vez mais doloroso… uma pessoa vai machucando e agredindo a outra constantemente, mesmo que essa agressão venha por meio do próprio distanciamento… da frieza… da falta de sexo… da inexistência de uma enriquecedora intimidade.

A dor da separação, pelo menos, abriria a oportunidade para tocar os projetos pessoais, já que os conjugais foram para o beleléu quando a outra pessoa não se envolveu com os compromissos das mudanças na relação…

Com isso, encontramos muitos casais terminando ou mantendo um vínculo de fachada, de algo já deteriorado, que está longe de ser satisfatório.

Se uma pessoa busca mudar, se envolve em projetos individuais que vão lhe dar satisfação. Naturalmente, a pessoa parceira é colocada numa situação em que o progresso lhe é apresentado. Não precisa nem ser cobrada escancaradamente pela primeira a mudar. O movimento da primeira já provoca naturalmente essa reação na outra. É um estímulo natural para a outra mudar também. E não somente se dedicar a novas satisfações individuais, mas conjugais também.

Por isso que relacionar dá trabalho. Falo do relacionar verdadeiro. Não o de fachada. Porque o relacionar verdadeiro exige constantes mudanças que trarão cada dia mais satisfação a AMBAS, tanto a nível individual quando conjugal.

Beijos afetivamente reflexivos nocês…

Yub

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