• Yubertson Miranda

Caso 39: A culpa que assombra e nos persegue

Sou mais fã de filme de Suspense. Na verdade, esse é o meu gênero predileto. Não gosto de terror, principalmente daqueles repletos de porcariada (tipo cara feia, vômitos, sangue excessivo sem sentido algum). Mas, inevitavelmente, alguns filmes de suspense têm pitadas de terror. É o que ocorreu com “Case 39” que eu e a Cris assistimos no último Domingo (dia 30/1/11).

Nesse caso, é  um terror psicológico. Mesmo com imagens assustadoras e algumas porcariadas, esses elementos têm um sentido bem específico no filme. Por isso, eu não me incomodei. Gostei, até. Precisava tê-los.

Como meu olhar é bem simbólico, gosto de ir além das aparências. E o que ficou claro pra mim foi o quanto Renée Zellweger deu show ao apresentar o tormento de uma pessoa que é refém da culpa. A tônica do filme é a jornada de uma mulher para se conscientizar de uma baita culpa e exorcizar esse demônio. Pode até parecer que ela é vítima do medo. Mas, pra mim, esse medo foi originado de uma significativa culpa originada em função de um evento de seu passado.

Seu próprio trabalho é uma forma de resgatar (expiar) essa culpa. Por ela não ter consciência desse sentimento culposo, ela inconscientemente atrai uma história que a remeterá diretamente ao cerne de seu medo. É impressionante como criamos monstros diários e por toda uma vida. E o quanto fazemos isso por conta do que um evento traumático gerou em nossa psique. 

E se não nos conscientizarmos dessa ferida, tendemos a atrair pessoas (ou uma especificamente) que será a projeção literal desse nosso enrosco psicológico. Será uma pessoa com uma história de vida milimetricamente perfeita para espelhar o que precisamos compreender e superar. O objetivo do inconsciente nesse processo é que tenhamos a oportunidade – muitas vezes, dramática – de olharmos nosso medo de frente. No caso dela, a sua sonora culpa. 

O final, que não vou contar, óbvio, é muito bacana. Só falarei simbolicamente… Se ver o filme, saberá do que estou falando. E verá o quanto pintamos a realidade com o irreal. Mas que, para nós, essa fantasia é MUITO real sim. Materializamos esse conteúdo “fantasioso.” No filme, nessa parte derradeira, primeiro vem o fogo. Depois a água, as profundezas do oceano, onde precisamos mergulhar para nos libertar de nossos demônios, dos fantasmas que nos assombram.

Beijãozão nocês…

Yub

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